Os anos e, principalmente, Maria, transformaram Eduardo.
Na Lapa, o começo, em Botafogo, fim.
Impossível imaginar que aquela prostituta, tomada por debilitações, pudesse ser protagonista de uma história.
Eduardo não bastava. Queria mais.
Colecionou corações, mas sempre voltava ao único lugar para uma mulher como ela.
O tempo passou e a relação dos dois era de estranhamento.
Palavras eram veladas, algo estava pra acontecer.
E Eduardo fez explodir. Não matou Maria por pura insanidade.
Nada de racionalidade (ou falta dela), e sim amor e rancor, que estavam bem guardados.
Por todos os namorados que ela arranjou, pela falta do carinho que ele julgara receber.
Pensou que comprara o amor dela quando lhe tirou da prostituição e lhe deu dignidade. Mas ela vendia sexo, não amor.
Amor é sorte e Eduardo não a teve. Maria também não, pois, ao aceitar que lhe tratassem como gente, traçou seu destino: seis tiros em um quarto.
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terça-feira, 10 de agosto de 2010
quinta-feira, 29 de julho de 2010
O normal é ser louco
A realidade nasce da subjetividade de cada um. O que é real pra mim pode não ser pra você, e vice-versa. Nós fazemos nossos próprios mundos, cada um com o seu, mas nunca existente sem os outros “mundos individuais”.
Papo louco. Mas quem pode dizer o que é loucura e o que é realidade? Vivemos em uma linha tênue entre o real e a fantasia. A imaginação interfere muito mais na vida prática do que o contrário.
Uma coisa torna-se impossível no momento em que você a define como impossível. Nada é impossível, é só questão de achar possível. Tudo é mente, pensamento. O que eu penso e acredito é unicamente o que existe, ou o que vai existir.
Se virmos uma pessoa falando sozinha na rua, certamente pensaremos: “que louco!”. Mas quem definiu que o normal é não falar consigo próprio em voz alta? Quem não se encaixa no padrão é logo definido como anormal ou estranho. As pessoas temem o diferente, porque o diferente é imprevisível e o imprevisível foge do controle.
Todo mundo é louco. O normal é ser louco. Mas a maioria consegue esconder a loucura sob uma aparência de normalidade, que não é repleta em ninguém.
A separação entre o louco e o normal, na verdade, não existe, é cultural. A cultura, ao longo da história, é que definiu padrões de pensamento e comportamento. O que realmente existe são desvios, maiores ou menores, ao que foi estabelecido como regra.
Dizem que pensar enlouquece. Não enlouquece. Ao pensar estamos apenas construindo nosso próprio mundo, que é diferente do que encontramos na vida cotidiana, mas que é absolutamente natural para nós mesmos. Então por que não colocá-lo em prática? O pensar é o existir.
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Papo louco. Mas quem pode dizer o que é loucura e o que é realidade? Vivemos em uma linha tênue entre o real e a fantasia. A imaginação interfere muito mais na vida prática do que o contrário.
Uma coisa torna-se impossível no momento em que você a define como impossível. Nada é impossível, é só questão de achar possível. Tudo é mente, pensamento. O que eu penso e acredito é unicamente o que existe, ou o que vai existir.
Se virmos uma pessoa falando sozinha na rua, certamente pensaremos: “que louco!”. Mas quem definiu que o normal é não falar consigo próprio em voz alta? Quem não se encaixa no padrão é logo definido como anormal ou estranho. As pessoas temem o diferente, porque o diferente é imprevisível e o imprevisível foge do controle.
Todo mundo é louco. O normal é ser louco. Mas a maioria consegue esconder a loucura sob uma aparência de normalidade, que não é repleta em ninguém.
A separação entre o louco e o normal, na verdade, não existe, é cultural. A cultura, ao longo da história, é que definiu padrões de pensamento e comportamento. O que realmente existe são desvios, maiores ou menores, ao que foi estabelecido como regra.
Dizem que pensar enlouquece. Não enlouquece. Ao pensar estamos apenas construindo nosso próprio mundo, que é diferente do que encontramos na vida cotidiana, mas que é absolutamente natural para nós mesmos. Então por que não colocá-lo em prática? O pensar é o existir.
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sexta-feira, 23 de julho de 2010
viver pra morrer
Vida e morte andam lado a lado, negociando a todo instante.
Cada pessoa faz o seu melhor, e também o seu pior, enquanto vive.
Parte divina e humana entram em choque o tempo todo. Não há vencedor, pois sempre ambas existirão.
Manifestar o lado animal é necessário. Não faz mal a fraqueza, os ciúmes, o egoísmo. Tudo isso é ser humano em sua essência. O dever é ser um bom humano, mas ainda humano.
Quem já viveu muito, mesmo sendo jovem, sente-se feliz e com vontade de experimentar muito mais. O mundo se adquire e se saboreia. Mas o tempo é implacável, leva tudo embora.
E aí vem a morte, que, finalmente, venceu a luta contra a vida. E não tem problema. No final, a vida é a vitoriosa. Ganhou muito mais.
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Cada pessoa faz o seu melhor, e também o seu pior, enquanto vive.
Parte divina e humana entram em choque o tempo todo. Não há vencedor, pois sempre ambas existirão.
Manifestar o lado animal é necessário. Não faz mal a fraqueza, os ciúmes, o egoísmo. Tudo isso é ser humano em sua essência. O dever é ser um bom humano, mas ainda humano.
Quem já viveu muito, mesmo sendo jovem, sente-se feliz e com vontade de experimentar muito mais. O mundo se adquire e se saboreia. Mas o tempo é implacável, leva tudo embora.
E aí vem a morte, que, finalmente, venceu a luta contra a vida. E não tem problema. No final, a vida é a vitoriosa. Ganhou muito mais.
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terça-feira, 13 de julho de 2010
Metafísica
A roda girou
Marcou 90, 180
Aquele segundo se foi
No toque e no cheiro da pele
Conheceu-se o novo
Na cor dos seus olhos se afogou
Sua voz se fez necessária
A ausência que transformou o amarelo em cinza
É gota de cachoeira diante de uma vida
Tudo é pequeno perto do "eu e você"
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Marcou 90, 180
Aquele segundo se foi
No toque e no cheiro da pele
Conheceu-se o novo
Na cor dos seus olhos se afogou
Sua voz se fez necessária
A ausência que transformou o amarelo em cinza
É gota de cachoeira diante de uma vida
Tudo é pequeno perto do "eu e você"
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quinta-feira, 3 de junho de 2010
Mais uma de Israel
O ataque ao navio turco de ajuda humanitária que tentava furar o bloqueio à Faixa de Gaza e que resultou na morte de nove ativistas fez com que aumentasse a pressão mundial sobre Israel.
Os israelenses afirmam que se tratavam de terroristas que estariam abastecendo o Hamas (grupo radical islâmico que controla a Faixa de Gaza desde 2007), porém essa informação mostrou-se equivocada. A Turquia, aliada estratégica de Israel, afirmou que as relações entre os dois países "nunca mais serão as mesmas".
O mundo, agora, pressiona para que Israel acabe com o bloqueio comercial que exerce sobre a Faixa de Gaza. Mas, segundo o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, não é o que acontecerá. Ele diz que seu país, mais uma vez, está sendo vítima de hipocrisia e pré-julgamento tendencioso.
Israel justifica o bloqueio afirmando que ele é necessário para enfraquecer o Hamas (já que as armas que entram em Gaza se voltam contra os civis israelenses) e para que Gaza não se torne um porto iraniano, o que configuraria uma ameaça.
Porém, ao invés de enfraquecer, Israel só vem fortalecendo o Hamas. O ódio gerado pelo bloqueio comercial e atitudes estúpidas como o ataque ao navio de ajuda humanitária alimentam radicalismos de oposição no Oriente Médio e isolam cada vez mais o país.
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Os israelenses afirmam que se tratavam de terroristas que estariam abastecendo o Hamas (grupo radical islâmico que controla a Faixa de Gaza desde 2007), porém essa informação mostrou-se equivocada. A Turquia, aliada estratégica de Israel, afirmou que as relações entre os dois países "nunca mais serão as mesmas".
O mundo, agora, pressiona para que Israel acabe com o bloqueio comercial que exerce sobre a Faixa de Gaza. Mas, segundo o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, não é o que acontecerá. Ele diz que seu país, mais uma vez, está sendo vítima de hipocrisia e pré-julgamento tendencioso.
Israel justifica o bloqueio afirmando que ele é necessário para enfraquecer o Hamas (já que as armas que entram em Gaza se voltam contra os civis israelenses) e para que Gaza não se torne um porto iraniano, o que configuraria uma ameaça.
Porém, ao invés de enfraquecer, Israel só vem fortalecendo o Hamas. O ódio gerado pelo bloqueio comercial e atitudes estúpidas como o ataque ao navio de ajuda humanitária alimentam radicalismos de oposição no Oriente Médio e isolam cada vez mais o país.
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