Culturas diferentes devem ser sempre respeitadas. Mas, e se determinada cultura adota práticas bárbaras, inaceitáveis no século XXI? Deve haver a interferência da comunidade global ou a indiferença e o respeito à autonomia cultural de cada nação?
É notório o avanço do Brasil no campo diplomático durante o governo Lula. Nunca fomos tão respeitados no cenário internacional e tivemos, inclusive, nosso presidente sendo chamado de “o cara” por Barack Obama. Cultivamos, nestes últimos anos, a imagem de um país que dialoga com todos, inclusive com governantes totalitários, como os ditadores Kadafi, da Líbia e Ahmadinejad, do Irã, além de Hugo Chávez e sua turma no bloco sul-americano.
Por um lado, isto é bom, considerando as pretensões do Brasil de se tornar membro do Conselho de Segurança da ONU, pois, mantendo sempre boas relações, nosso país se destaca como um forte mediador entre nações de ideologias distintas.
Porém, até que ponto é válida essa política de diálogo irrestrito, que acaba legitimando governos que violam os direitos humanos e que possuem práticas que ameaçam a estabilidade mundial?
Além disso, agindo assim, o Brasil, muitas vezes, contraria potências como os EUA. Um exemplo disso foi o fracasso da tentativa brasileira de evitar sanções ao Irã, devido ao seu programa nuclear. Muitos especialistas consideraram que o presidente Lula errou ao entrar em uma questão muito complicada, cujas chances de sucesso eram bastante remotas.
O fato mais recente é a da condenação por apedrejamento da iraniana Sakineh, acusada de adultério. A cultura no Irã e as leis que lá prevalecem são dignas da Idade Média. Nosso presidente, aproveitando-se da amizade com Ahmadinejad, pediu que Sakineh fosse transferida para o Brasil, o que não foi aceito. Apesar dessa atitude, Lula afirmou que é preciso levar em consideração a legislação e a soberania de cada país.
O mundo deve sim pressionar para que a mentalidade de determinadas culturas evolua, para que os direitos humanos sejam respeitados. É muito difícil mudar conceitos arraigados por séculos de tradição e alimentados por radicalismos religiosos, porém a comunidade internacional deve rejeitar atitudes como essa. Nesse caso, acima do respeito à cultura alheia, deve prevalecer o bom senso e o lado humanitário.
Na globalização em que vivemos, é triste perceber o quanto certas sociedades permanecem “fechadas em seus casulos”, sem procurar fazer parte dessa nova realidade. É claro que a identidade cultural de cada país deve ser preservada, mas isso não impede que haja uma evolução de pensamento. Levar uma cultura para outros lugares é extremamente necessário, pois assim os diversos conhecimentos são distribuídos.
Portanto, não devemos aceitar certas práticas de sociedades que não progrediram, que matam e torturam seres humanos baseadas em fundamentalismos irracionais. A verdade de quem não procura conhecer as outras verdades é sempre errada.
.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Maria e Eduardo
Os anos e, principalmente, Maria, transformaram Eduardo.
Na Lapa, o começo, em Botafogo, fim.
Impossível imaginar que aquela prostituta, tomada por debilitações, pudesse ser protagonista de uma história.
Eduardo não bastava. Queria mais.
Colecionou corações, mas sempre voltava ao único lugar para uma mulher como ela.
O tempo passou e a relação dos dois era de estranhamento.
Palavras eram veladas, algo estava pra acontecer.
E Eduardo fez explodir. Não matou Maria por pura insanidade.
Nada de racionalidade (ou falta dela), e sim amor e rancor, que estavam bem guardados.
Por todos os namorados que ela arranjou, pela falta do carinho que ele julgara receber.
Pensou que comprara o amor dela quando lhe tirou da prostituição e lhe deu dignidade. Mas ela vendia sexo, não amor.
Amor é sorte e Eduardo não a teve. Maria também não, pois, ao aceitar que lhe tratassem como gente, traçou seu destino: seis tiros em um quarto.
.
Na Lapa, o começo, em Botafogo, fim.
Impossível imaginar que aquela prostituta, tomada por debilitações, pudesse ser protagonista de uma história.
Eduardo não bastava. Queria mais.
Colecionou corações, mas sempre voltava ao único lugar para uma mulher como ela.
O tempo passou e a relação dos dois era de estranhamento.
Palavras eram veladas, algo estava pra acontecer.
E Eduardo fez explodir. Não matou Maria por pura insanidade.
Nada de racionalidade (ou falta dela), e sim amor e rancor, que estavam bem guardados.
Por todos os namorados que ela arranjou, pela falta do carinho que ele julgara receber.
Pensou que comprara o amor dela quando lhe tirou da prostituição e lhe deu dignidade. Mas ela vendia sexo, não amor.
Amor é sorte e Eduardo não a teve. Maria também não, pois, ao aceitar que lhe tratassem como gente, traçou seu destino: seis tiros em um quarto.
.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
O normal é ser louco
A realidade nasce da subjetividade de cada um. O que é real pra mim pode não ser pra você, e vice-versa. Nós fazemos nossos próprios mundos, cada um com o seu, mas nunca existente sem os outros “mundos individuais”.
Papo louco. Mas quem pode dizer o que é loucura e o que é realidade? Vivemos em uma linha tênue entre o real e a fantasia. A imaginação interfere muito mais na vida prática do que o contrário.
Uma coisa torna-se impossível no momento em que você a define como impossível. Nada é impossível, é só questão de achar possível. Tudo é mente, pensamento. O que eu penso e acredito é unicamente o que existe, ou o que vai existir.
Se virmos uma pessoa falando sozinha na rua, certamente pensaremos: “que louco!”. Mas quem definiu que o normal é não falar consigo próprio em voz alta? Quem não se encaixa no padrão é logo definido como anormal ou estranho. As pessoas temem o diferente, porque o diferente é imprevisível e o imprevisível foge do controle.
Todo mundo é louco. O normal é ser louco. Mas a maioria consegue esconder a loucura sob uma aparência de normalidade, que não é repleta em ninguém.
A separação entre o louco e o normal, na verdade, não existe, é cultural. A cultura, ao longo da história, é que definiu padrões de pensamento e comportamento. O que realmente existe são desvios, maiores ou menores, ao que foi estabelecido como regra.
Dizem que pensar enlouquece. Não enlouquece. Ao pensar estamos apenas construindo nosso próprio mundo, que é diferente do que encontramos na vida cotidiana, mas que é absolutamente natural para nós mesmos. Então por que não colocá-lo em prática? O pensar é o existir.
.
Papo louco. Mas quem pode dizer o que é loucura e o que é realidade? Vivemos em uma linha tênue entre o real e a fantasia. A imaginação interfere muito mais na vida prática do que o contrário.
Uma coisa torna-se impossível no momento em que você a define como impossível. Nada é impossível, é só questão de achar possível. Tudo é mente, pensamento. O que eu penso e acredito é unicamente o que existe, ou o que vai existir.
Se virmos uma pessoa falando sozinha na rua, certamente pensaremos: “que louco!”. Mas quem definiu que o normal é não falar consigo próprio em voz alta? Quem não se encaixa no padrão é logo definido como anormal ou estranho. As pessoas temem o diferente, porque o diferente é imprevisível e o imprevisível foge do controle.
Todo mundo é louco. O normal é ser louco. Mas a maioria consegue esconder a loucura sob uma aparência de normalidade, que não é repleta em ninguém.
A separação entre o louco e o normal, na verdade, não existe, é cultural. A cultura, ao longo da história, é que definiu padrões de pensamento e comportamento. O que realmente existe são desvios, maiores ou menores, ao que foi estabelecido como regra.
Dizem que pensar enlouquece. Não enlouquece. Ao pensar estamos apenas construindo nosso próprio mundo, que é diferente do que encontramos na vida cotidiana, mas que é absolutamente natural para nós mesmos. Então por que não colocá-lo em prática? O pensar é o existir.
.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
viver pra morrer
Vida e morte andam lado a lado, negociando a todo instante.
Cada pessoa faz o seu melhor, e também o seu pior, enquanto vive.
Parte divina e humana entram em choque o tempo todo. Não há vencedor, pois sempre ambas existirão.
Manifestar o lado animal é necessário. Não faz mal a fraqueza, os ciúmes, o egoísmo. Tudo isso é ser humano em sua essência. O dever é ser um bom humano, mas ainda humano.
Quem já viveu muito, mesmo sendo jovem, sente-se feliz e com vontade de experimentar muito mais. O mundo se adquire e se saboreia. Mas o tempo é implacável, leva tudo embora.
E aí vem a morte, que, finalmente, venceu a luta contra a vida. E não tem problema. No final, a vida é a vitoriosa. Ganhou muito mais.
.
Cada pessoa faz o seu melhor, e também o seu pior, enquanto vive.
Parte divina e humana entram em choque o tempo todo. Não há vencedor, pois sempre ambas existirão.
Manifestar o lado animal é necessário. Não faz mal a fraqueza, os ciúmes, o egoísmo. Tudo isso é ser humano em sua essência. O dever é ser um bom humano, mas ainda humano.
Quem já viveu muito, mesmo sendo jovem, sente-se feliz e com vontade de experimentar muito mais. O mundo se adquire e se saboreia. Mas o tempo é implacável, leva tudo embora.
E aí vem a morte, que, finalmente, venceu a luta contra a vida. E não tem problema. No final, a vida é a vitoriosa. Ganhou muito mais.
.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Metafísica
A roda girou
Marcou 90, 180
Aquele segundo se foi
No toque e no cheiro da pele
Conheceu-se o novo
Na cor dos seus olhos se afogou
Sua voz se fez necessária
A ausência que transformou o amarelo em cinza
É gota de cachoeira diante de uma vida
Tudo é pequeno perto do "eu e você"
.
Marcou 90, 180
Aquele segundo se foi
No toque e no cheiro da pele
Conheceu-se o novo
Na cor dos seus olhos se afogou
Sua voz se fez necessária
A ausência que transformou o amarelo em cinza
É gota de cachoeira diante de uma vida
Tudo é pequeno perto do "eu e você"
.
Assinar:
Postagens (Atom)