segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Relação homem-dinheiro na contemporaneidade.



Busca por dinheiro, ideal de fracasso, e ruptura das relações interpessoais. Essas são características do atual cenário socioeconômico, em que a procura pelo dinheiro tornou-se obsessiva. Tal fato criou uma necessidade de ser íntimo desse, em detrimento da família, da amizade e de outros alicerces tradicionais.

Busca por dinheiro. A atual ideologia capitalista imposta na sociedade conduz a corrida contínua pelo capital, atribuindo status para quem se adequa a essa condição. Todavia, caso não se adeque, coloca o indivíduo à margem , tornando-o um excluído. Então, o dinheiro transformou-se em um fator de inserção social, sendo primordial na atual conjuntura.

Ideal de fracasso. Além disso, essa busca criou um medo inerente ao sistema capitalista, o de fracassar. Isso leva pessoas a um mesmo objetivo, de ascensão no mercado de trabalho a qualquer custo. Assim, caso não ocorra, o sentimento de invalidez é gradativo, sendo importante somente a não conclusão dos objetivos.

Ruptura das relações interpessoais. Embora essa procura pela ascensão seja benéfica, à medida que constrói o mérito, ela rompe com as instituições tradicionais. O homem está voltado somente para produção e para o trabalho, portanto, a amizade e a família, exemplos dessas instituições, tornam-se cada vez menos importantes, sendo deteriorizadas.

Desse modo, a obsessão pelo dinheiro inibe a percepção dos aspectos primordiais. Aproxima o homem apenas no aspecto econômico, em detrimento do social. Eis a troca de valores.


Por Paulo Shor.
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domingo, 11 de outubro de 2009

Esse é o nosso mundo



Os sinos da Igreja romana já tocaram
Jerusalém continua sagrada
Os Impérios caíram um por um
Reis foram degolados por revolucionários
Ideologias mudaram nosso mundo
A história das nações se construiu nos campos de batalha
Povos foram extintos pelo poder da espada
A ignorância não reconheceu os enviados de Deus
Morreram como mártires, mas fizeram sua parte na evolução do homem
Déspotas lapidaram seus egos sacrificando vidas
Poder, dominação e riqueza sempre resultaram em sangue
Do sangue surgiram as civilizações
O muro de tantas lamentações continua intacto
As paredes do Vaticano continuam ouvindo antes o que o mundo vai saber depois
A fé e o poder moveram a humanidade
Mas muita coisa mudou
Não se escuta mais os gritos dos espartanos
O sol não é mais encoberto pelas flechas do inimigo
Porém todos os caminhos ainda levam à Roma
Muitos continuaram mudando a existência
Normandia acabou com o pesadelo de mais uma tragédia mundial
O muro alemão desabou pela vergonha de um mundo dividido
E tudo mudou mais uma vez
Olhamos para nossa história, aprendemos com o passado
Vivemos para sempre

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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O Senhor da Guerra

Em seu documentário sobre a Guerra do Iraque, o cineasta Michael Moore expõe as mentiras contadas pelo ex-presidente norte-americano George W.Bush e suas reais intenções ao invadir o país de Saddam Hussein.
De forma bastante realista, sem intenções obscuras, ele mostra as diversas faces da guerra, desde os miseráveis que desejam ser recrutados para ganhar dinheiro até o alto escalão do governo Bush.

Em uma determinada parte, uma mãe dá o seu depoimento e se mostra muito orgulhosa por seu filho estar combatendo no Iraque, de estar defendendo o país. Inclusive, todos os dias ela hastea a bandeira dos Estados Unidos na frente de sua casa.
O documentário prossegue e depois retorna para essa mãe. Agora, ela recebe uma ligação do Departamento de Defesa informando que o filho dela havia morrido em combate. O helicóptero em que ele estava foi atingido e ninguém sobreviveu.
A mãe então muda radicalmente seu conceito sobre a guerra e sobre o significado de patriotismo.

Em outra parte, Michael Moore vai pessoalmente ao Congresso para, ironicamente, pedir aos congressistas que assinem uma petição para que seus filhos também sejam mandados para o Iraque. Porque eles ficam apenas aprovando emendas, como o aumento do contingente de soldados, mas sabem que não serão afetados pessoalmente, nenhum parente deles irá combater. Obviamente, nenhum congressista aceitou assinar.

Também é mostrada a estratégia de recrutamento de novos soldados.
Diante do desenrolar imprevisto da guerra, foi necessário um maior contingente.
Diante disso, soldados percorriam as áreas pobres oferecendo "vantagens" para quem estivesse disposto a ir para o Iraque. Nessas regiões é muito maior o interesse em se alistar às Forças Armadas, devido à difícil situação econômica e ao baixo nível de instrução da população.

E as vítimas da guerra foram essas pessoas. Vítimas de uma guerra que não era delas.
Era a guerra do Bush, da indústria bélica, das empresas interessadas no petróleo iraquiano e dos congressistas, que assistiam, no conforto de suas casas, seus fantoches brincarem de matar. E de morrer.







Mais uma guerra sem razão
Já são tantas as crianças com armas na mão
Mas explicam novamente que a guerra gera empregos
Aumenta a produção
Uma guerra sempre avança a tecnologia
Mesmo sendo guerra santa
Quente, morna ou fria
Pra que exportar comida?
Se as armas dão mais lucros na exportação

Existe alguém que está contando com você
Pra lutar em seu lugar já que nessa guerra
Não é ele quem vai morrer
E quando longe de casa
Ferido e com frio o inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando novos jogos de guerra


(..)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

"Estão me achando lindo"

Depois de Edmar Moreira e Sérgio Moraes, eis que surge Paulo Duque (PMDB-RJ).
Ele, um senador suplente (é o substituto de Sérgio Cabral no Senado), teve uma conduta vergonhosa semana passada.
Como presidente do Conselho de Ética, arquivou sumariamente quatro representações contra José Sarney e debochou da cara de cada um de nós, brasileiros, com suas ironias.
Perguntado sobre o que o povo estaria achando dos arquivamentos, ele respondeu:
-Estão me achando lindo!
E disse também: -Vocês ainda não viram nada!
Duque afirmou que as denúncias contra Sarney não continham provas porque se baseavam em matérias de jornais.

Como se não bastasse, no dia seguinte não apareceu para arquivar pessoalmente as sete acusações restantes.
A desculpa: acordou um pouco rouco.
Realmente, depois de falar tanta besteira no dia anterior, é compreensível que o senador tenha acordado rouco.
Sorte a nossa, se além de Paulo Duque, os senadores Sarney, Renan Calheiros, Collor e cia também acordassem roucos, diariamente, e não pudessem mais ir "trabalhar".

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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Involução

A geração nascida junto com a globalização, na qual me incluo, me surpreende negativamente a cada dia.
O “novo começo de era, de gente fina, elegante e sincera” ainda me parece longe de virar realidade. Ainda somos incrivelmente retrógrados em muitos aspectos, além de mesquinhos, egoístas, aproveitadores e desleais.
É a lei da selva cada vez mais presente. É a involução no lugar da evolução.
Ainda estão presentes conservadorismos burros (sou a favor de conservadorismos necessários) aceitáveis em nossos avós.
Vejo a minha geração crescendo em torno de uma sociedade doente, que precisa urgentemente rever seus valores. É cada um pensando apenas em suas próprias necessidades, querendo se dar bem sobre o outro, com suas neuras, traumas, opiniões (mal)formadas, conceitos prontos, rótulos para tudo, mente fechada.
É como se cada um criasse um casulo em torno de si para ficar intocável aos males da vida moderna.
Mas, assim, acabam se esquecendo de viver plenamente. Se esquecem de valorizar o amor e as pequenas coisas. Ocorre uma racionalização generalizada, tudo precisa ser materialmente provado e balanceado.
Foi criada uma geração doente, afetada pelas conseqüências de uma sociedade robotizada e, acima de tudo, envenenada.
De quem é a culpa por sermos o que somos?
Acho que os principais culpados somos nós, jovens. Nós que tivemos a liberdade e a formação para ter uma mente mais esclarecida que as gerações anteriores e, mesmo assim, nada mudamos. Pelo contrário, retrocedemos, encaretamos.
Fomos todos contaminados pelas doenças da modernidade.


‘ Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.


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