A geração nascida junto com a globalização, na qual me incluo, me surpreende negativamente a cada dia.
O “novo começo de era, de gente fina, elegante e sincera” ainda me parece longe de virar realidade. Ainda somos incrivelmente retrógrados em muitos aspectos, além de mesquinhos, egoístas, aproveitadores e desleais.
É a lei da selva cada vez mais presente. É a involução no lugar da evolução.
Ainda estão presentes conservadorismos burros (sou a favor de conservadorismos necessários) aceitáveis em nossos avós.
Vejo a minha geração crescendo em torno de uma sociedade doente, que precisa urgentemente rever seus valores. É cada um pensando apenas em suas próprias necessidades, querendo se dar bem sobre o outro, com suas neuras, traumas, opiniões (mal)formadas, conceitos prontos, rótulos para tudo, mente fechada.
É como se cada um criasse um casulo em torno de si para ficar intocável aos males da vida moderna.
Mas, assim, acabam se esquecendo de viver plenamente. Se esquecem de valorizar o amor e as pequenas coisas. Ocorre uma racionalização generalizada, tudo precisa ser materialmente provado e balanceado.
Foi criada uma geração doente, afetada pelas conseqüências de uma sociedade robotizada e, acima de tudo, envenenada.
De quem é a culpa por sermos o que somos?
Acho que os principais culpados somos nós, jovens. Nós que tivemos a liberdade e a formação para ter uma mente mais esclarecida que as gerações anteriores e, mesmo assim, nada mudamos. Pelo contrário, retrocedemos, encaretamos.
Fomos todos contaminados pelas doenças da modernidade.
‘ Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.
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quinta-feira, 30 de julho de 2009
domingo, 21 de junho de 2009
Ipanema virou o Brasil
Em sua coluna no "O Globo", Arnaldo Jabor escreveu a respeito do problema crônico do Rio de Janeiro: a proliferação da miséria.
Ela não se limita mais aos morros e periferias da cidade, está em toda a parte. Até mesmo em áreas consideradas nobres, como Ipanema, as desigualdades sociais estão cada vez mais expostas e marcam a deteriorização e abandono do Rio.
E todos nós, cariocas, lidamos com as consequências desse processo no nosso cotidiano.
Abaixo, alguns trechos da coluna do Jabor.
"Tom Jobim nadava com força na Lagoa Rodrigo de Freitas naquele verão de 1944. Parou um instante, já chegando ao Sacopã, e olhou em volta, imaginando como seria Ipanema dali a 20 anos. A lagoa era clara, cheia de peixes e garças. Ipanema era uma promessa de vida em seu peito molhado.
Leila Diniz estava rindo no Bar Jangadeiros, em minha mesa, 20 anos depois. Nós éramos jovens, na luz de Ipanema; como Joyce escreveu, estávamos “felizes, moços, perto do selvagem coração da vida”. E eu pensava: “Meu Deus, que alegria! Até quando seremos assim?” Tínhamos uma espécie de paraíso social ali entre Copa e Leblon. Tom Jobim diria anos depois: “O Brasil será feliz quanto tudo for uma grande Ipanema”."
"Hoje, nos afligimos com tantos pobres que expõem suas feridas nas esquinas, com tantos vagabundos descendo dos morros.
O que incomoda a população branquinha não é só o assaltante, é o passeante. Pardos passeantes de chinelos e calção enchem a Zona Sul. Eles pressentem o medo dos classe-médias e desfilam com garbo. O carioca branco se indigna, como se só ele fosse nativo. Vejo que meu mal-estar diante do caos carioca é um mal-estar de classe. Sim, há um horror de classe nos cariocas “brancos”; querem mudar o Rio para ontem, querem que o Rio “volte” a ser algo de “antigamente”. É mentira que tememos apenas a violência. Tememos também a promiscuidade."
"Hoje, nas ruas de Ipanema, parece que ando num Rio do inferno. O ritmo lento dos desocupados se cruza com os olhares trêmulos de madames e aposentados correndo para trás das grades, biquínis em frente a mendigos, população branca temerosa, movendo-se pela “folga” da “crioulada” e os mendigos que jazem nas portas de igrejas, criancinhas brincando na sarjeta, mamadeira e esmolas, caixotes e pernas abertas."
"O Rio é hoje a saudade de algo que já foi.
Ninguém ama o Rio como ele é. Só os miseráveis que hoje ocupam as praias amam o Rio – são seus anos dourados.
O Brasil não virou Ipanema. Ipanema virou o Brasil.
Silenciosamente, as 600 favelas que o egoísmo construiu fizeram a revolução parda. A democracia já desceu o morro.
A bruta face da miséria desmoralizou a sentimentalidade branca."
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quinta-feira, 4 de junho de 2009
Moraes e Moreira
Sérgio Moraes era o relator do Conselho de Ética da Câmara no processo de cassação do deputado Edmar Moreira (o dono do castelo), até declarar que está ''se lixando para a opinião pública''.
Moraes é acusado de possuir um prostíbulo, receptar jóias e usar dinheiro público para fazer ligações para o disk-sexo.
Já Moreira, que é dono de um castelo em Minas avaliado em R$25 milhões, é acusado de mau uso da verba indenizatória. Ele teria utilizado o dinheiro em serviços de segurança particular. A verba indenizatória é de R$15 mil mensais. Em 2008, o parlamentar do DEM utilizou R$140 mil com serviço de segurança.
Moreira recebeu o apoio de Moraes, que não vê razões para condenar o colega.
O ex-relator mostrou que não estava preocupado com a má repercussão de uma absolvição prévia, sem sequer ter começado a investigação do caso.
"Estou me lixando para a opinião pública", afirmou Moraes aos jornalistas.
"Até porque parte da opinião pública não acredita no que vocês escrevem. Vocês batem, mas a gente se reelege."
Abaixo, segue o vídeo da excelente matéria feita pelo CQC com os dois deputados, que expõe a falta de moral de ambos.
http://www.youtube.com/watch?v=w6fuy36ILiA
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Moraes é acusado de possuir um prostíbulo, receptar jóias e usar dinheiro público para fazer ligações para o disk-sexo.
Já Moreira, que é dono de um castelo em Minas avaliado em R$25 milhões, é acusado de mau uso da verba indenizatória. Ele teria utilizado o dinheiro em serviços de segurança particular. A verba indenizatória é de R$15 mil mensais. Em 2008, o parlamentar do DEM utilizou R$140 mil com serviço de segurança.
Moreira recebeu o apoio de Moraes, que não vê razões para condenar o colega.
O ex-relator mostrou que não estava preocupado com a má repercussão de uma absolvição prévia, sem sequer ter começado a investigação do caso.
"Estou me lixando para a opinião pública", afirmou Moraes aos jornalistas.
"Até porque parte da opinião pública não acredita no que vocês escrevem. Vocês batem, mas a gente se reelege."
Abaixo, segue o vídeo da excelente matéria feita pelo CQC com os dois deputados, que expõe a falta de moral de ambos.
http://www.youtube.com/watch?v=w6fuy36ILiA
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sábado, 30 de maio de 2009
Coreia do Norte desafia a comunidade internacional

Na última segunda, a Coreia do Norte anunciou que realizou um novo e bem sucedido teste nuclear, o segundo este ano. Na sexta, lançou outro míssil de curto alcance.
Duas provocações do governo de Pyongyang que aumentaram a tensão na geopolítica mundial.
Diversos governos demonstraram preocupação e alguns, como a Coreia do Sul e o Japão, pediram novas sanções contra o regime norte-coreano.
A China, talvez a maior aliada política da Coreia do Norte, concorda que deve haver sanções, mas age com cautela, por motivos econômicos (o país é o maior exportador da Coréia do Norte) e geográficos (teme que haja deslocamento em massa da população norte-corena em direção a China).
Os EUA já enviaram caças ao Japão e monitoram por satélite as movimentações na Coreia do Norte.
Neste sábado, o secretário de defesa norte-americano, Robert Gates, afirmou que seu país agirá rapidamente caso os EUA ou seus aliados na Ásia sejam ameaçados pelo governo norte-coreano. Segundo ele, os EUA não aceitarão a Coreia do Norte como um Estado com poder nuclear.
A Coreia do Norte, por sua vez, disse que tomará outras medidas de ''auto-defesa'' caso o Conselho de Segurança da ONU puna o país pelo teste nuclear desta semana.
Na terça-feira, afirmou que o governo do presidente Barack Obama continua hostil e declarou-se totalmente preparada para qualquer ataque dos Estados Unidos.
"Nosso Exército e nosso povo está totalmente preparado para a batalha contra qualquer tentativa dos EUA de um ataque preventivo".
Enquanto a Coreia do Norte se preocupa com a produção de armamento nuclear, sua população sofre com a fome (36% dela é subnutrida e milhares já morreram por este motivo nos últimos anos).
Há abertura para organizações humanitárias atuarem a fim de aliviar a fome da população, mas os esforços não são suficientes.
Isso acontece parcialmente por causa da corrupta liderança das forças militares. Eles interceptam muitas cargas de alimento e desviam-na aos seus soldados.
O próprio presidente Kim Jong-Il disse, certa vez, que só precisa que 30% da população sobreviva.
O governo comunista utiliza severos controles para impôr sua ideologia a cada cidadão, que inclui o culto a Kim Il-Sung e a seu filho Kim Jong-Il, o atual presidente.
A nação é considerada a mais fechada e isolada politicamente.
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quarta-feira, 29 de abril de 2009
O fim do vestibular
Ano passado, quando eu estava saindo do campus da UFF, vi escrito em um muro: QUEREMOS O FIM DO VESTIBULAR !
Achei a frase um tanto revolucionária, mas concordei.
Realmente, as provas de vestibular são, muitas vezes, injustas e priorizam a decoreba, e não o raciocínio e aprendizado. São cobrados assuntos irrelevantes para a vida prática.
É como se fosse uma grande indústria. As escolas e os cursinhos usam o vestibular para se divulgarem, colocando na televisão, nos jornais e outdoors seus alunos que conseguiram as primeiras colocações nas principais faculdades. Assim, atraem mais e mais alunos nos anos seguintes.
Com tal situação, parecia que a grande maioria (senão a totalidade) dos pré-vestibulandos compartilhavam do sentimento presente na frase escrita no muro da UFF. Porém, esse ano o ministro da educação Fernando Haddad anunciou o desejo de acabar com o vestibular e muitas críticas vêm surgindo.
A proposta que o ministro tem apresentado aos reitores das universidades federais é inspirado no modelo usado nos EUA, o SAT. Consiste em substituir o velho vestibular pelo Enem, a prova que o MEC já aplica a estudantes do ensino médio.Também será possível que os estudantes disputem as vagas do curso desejado em todo o país.
Muitos contestam a proposta: -Como o ministro ousa propor uma reformulação no processo seletivo se o ensino no Brasil é um total descaso? Não seria melhor começar modificando a base?
Já outros mais exaltados preferem utilizar um vocabulário chulo para falar do assunto: -Ruim pra caralho, a maior safadeza. Essa cidade vai ser invadida por paulistas. Deveriam investir na educação no ensino fundamental e médio.
Quem nunca ouviu falar na frase: cuidado com o que você deseja, porque pode se tornar realidade. Agora, os estudantes terão que se adaptar às regras estabelecidas pelas universidades (ou abandonam tudo, viram hippies e passam a vender pulseiras na praia).
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Achei a frase um tanto revolucionária, mas concordei.
Realmente, as provas de vestibular são, muitas vezes, injustas e priorizam a decoreba, e não o raciocínio e aprendizado. São cobrados assuntos irrelevantes para a vida prática.
É como se fosse uma grande indústria. As escolas e os cursinhos usam o vestibular para se divulgarem, colocando na televisão, nos jornais e outdoors seus alunos que conseguiram as primeiras colocações nas principais faculdades. Assim, atraem mais e mais alunos nos anos seguintes.
Com tal situação, parecia que a grande maioria (senão a totalidade) dos pré-vestibulandos compartilhavam do sentimento presente na frase escrita no muro da UFF. Porém, esse ano o ministro da educação Fernando Haddad anunciou o desejo de acabar com o vestibular e muitas críticas vêm surgindo.
A proposta que o ministro tem apresentado aos reitores das universidades federais é inspirado no modelo usado nos EUA, o SAT. Consiste em substituir o velho vestibular pelo Enem, a prova que o MEC já aplica a estudantes do ensino médio.Também será possível que os estudantes disputem as vagas do curso desejado em todo o país.
Muitos contestam a proposta: -Como o ministro ousa propor uma reformulação no processo seletivo se o ensino no Brasil é um total descaso? Não seria melhor começar modificando a base?
Já outros mais exaltados preferem utilizar um vocabulário chulo para falar do assunto: -Ruim pra caralho, a maior safadeza. Essa cidade vai ser invadida por paulistas. Deveriam investir na educação no ensino fundamental e médio.
Quem nunca ouviu falar na frase: cuidado com o que você deseja, porque pode se tornar realidade. Agora, os estudantes terão que se adaptar às regras estabelecidas pelas universidades (ou abandonam tudo, viram hippies e passam a vender pulseiras na praia).
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